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Os
champanhes e seus mistérios por
Bruno Emilio dos Santos (Advogado,
membro da Confraria Carioca de Amigos do Vinho - CONCAVI)
Data de remessa: 17/01/05
Introdução
Muito temos
falado sobre vinhos. Dos vinhos tintos, dos brancos, dos rosés,
do Vinho do Porto (branco e tinto). Mas, muito pouco se lê e, menos
ainda, se conversa sobre os champanhes ou espumantes. Talvez, pela
variedade dos vinhos, o brasileiro os tenha deixado de lado, sobretudo o
espumante nacional, cuja qualidade já é reconhecida lá fora.
Ao contrario disso, deveríamos deitar e rolar, já que a bebida
se aproxima muito da personalidade do brasileiro, sempre alegre e
expansivo, sem contar com a temperatura muito apropriada.
Nas rodas dos apreciadores do vinho, facilmente surgem opiniões
e informações básicas associadas às regras para uma boa degustação.
E sobre os champanhes e vinhos espumantes? Difícil alguém discorrer sobre a qualidade de uma
marca ou outra e passar informações novas além daquelas que já
conhecemos. Alguns imaginam que todos os champanhes e espumantes apresentam a mesma qualidade. As informações que nos
chegam são aquelas aprendidas em cursos ou através de livros como, por
exemplo, que o nome champanhe
se dá ao vinho
espumante produzido na França, na região que leva o mesmo nome (Champagne).
Sabe-se, também, que todo o vinho espumante que não for produzido lá
deve chamar-se apenas “espumante”.
A
elaboração do champanhe
O champanhe é
produzido a partir de uma dupla fermentação, que dá origem às
borbulhas (também chamado de mousse).
Após a primeira fermentação, chamada “simples”, e uma vez
misturado e engarrafado, dá-se a segunda, dentro da própria garrafa,
em razão da adição de açúcar. O vinho normalmente é envelhecido
por três anos e, havendo resíduos ou sedimentos, sua remoção se faz
pela técnica do degorgement. Como
é isso? Após a segunda fermentação as garrafas são dispostas em posição
de noventa graus, de cabeça para baixo, de forma a conduzir os resíduos
para o gargalo. De cabeça para baixo, o açúcar passa a aderir à
rolha.
O clima em Champagne
é ameno e produz vinhos ácidos próprios para fabricação da
bebida. A maioria dos
champanhes é feita de uma combinação das uvas Chardonnay,
Pinot Noir e Pinot Meunier, que são preparadas como se fossem
fazer uns vinhos brancos, retirando-se a casca.
Hoje já existem tambores mecânicos que fazem o trabalho do
profissional que antes rodava as garrafas, (segundo alguns seria a criação
de Madame Cliquot), podendo-se concluir a operação em oito dias
apenas. Apos a segunda fermentação o champanhe é envelhecido na própria
garrafa. Ao contrario do
que muitos pensam, em condições ideais, um champanhe pode ser guardado
por 10 a 15 anos. Os melhores espumantes e champanhes
são sempre produzidos a partir de uma segunda e lenta fermentação
numa garrafa, seguindo-se o envelhecimento. Quanto mais longo melhor.
Mais adiante se adiciona açúcar e coloca-se uma nova rolha.
As leveduras descem até o gargalo e aí se inicia um
congelamento. O tampão da levedura é então ejetado pela pressão.
Adiciona-se vinho doce e arrolha-se novamente a garrafa antes que o gás
possa escapar. Antes era chamado esse método CHAMPENOISE
e agora passa a ser conhecido como o método tradicional. E o Lambrusco? Nada mais é do que um espumante com sedimentos.
O tempo
melhorou a técnica de produção do champanhe e a mudança mais
significativa deu-se no século XVII,
graças a um monge beneditino chamado Dom
Pierre Pérignon (1639/1715).
Era ele responsável pelos vinhos da abadia de Hautvillers,
em Champagne, quando
descobriu que uma cortiça resistente colocada na tampa manteria as
borbulhas na garrafa. Estas se formam em três meses, na segunda
fermentação, realizada depois que o vinho é engarrafado. Alguns
atribuem ao religioso a invenção da bebida, outros atribuem a pequenos
produtores a descoberta, os quais ocasionalmente teriam deixado borras
de espumas sobre a fermentação em barris de carvalho.
A
região de Champagne

Ao contrario do
glamour que o champanhe proporciona, sua região é simples e cheia de
florestas cortadas por rios. O epicentro do vinho borbulhante (cujo
sabor e características têm forte relação com o solo calcário e o
clima temperado) esta nas cidades de Reims e Epernay e em
seus arredores que, junto com Chãlons,
formam o “triangulo sagrado de Champagne”. Neste perímetro estão
casas da categoria de Moêt et
Chandon, Pipier Heidsiek, Pommery, Taittinger, Demoiselle e Veuve
Cliquot.
A uva Chardornnay
é plantada na área de Côtes
de Blancs. Já a uva Pinot
Noir é plantada principalmente na região de Montagne
de Reims. A uva mais
comum para o champanhe é a Pinot
Meuier, uma parente da Pinot
Noir, frutada, que
amadurece mais cedo. Vinhos
brancos só podem ser feitos de uvas tintas se estas forem prensadas com
muito cuidado e o suco não tiver contato com as cascas. Normalmente o
melhor suco é aquele que sai pela primeira prensa. Há limites rígidos
em relação à quantidade de suco, que pode ser retirada de 1 Kg de
uva, mas os champanhes
mais baratos são, em geral, feitos de uvas mais prensadas e apresentam
por isso um suco adstringente.
A
Serra Gaúcha

A Serra Gaúcha
tem um clima que se aproxima da região de Champagne.
O clima chuvoso e com pouco sol da Serra Gaúcha faz na Chardonnay
e na Pinot Noir, usadas
no produto francês, efeito semelhante ao que ocorre na região
francesa. O produto nacional tem superado as expectativas e nas degustações
às cegas tem ganhado dos Italianos, espanhóis e até alguns franceses. Assim
nessas férias e quando o calor apertar, coloque um champanhe na
geladeira senão um espumante nacional com absoluta segurança.
O espumante
nacional tem surpreendido tanto que Danio
Braga disse em uma oportunidade: “Nossa climatologia é
absolutamente perfeita para a obtenção de espumante de qualidade”.
Segundo Roberto Rodrigues, da
ABS do Rio de Janeiro, “a produção nacional é tão boa
quanto os champanhes”.
Acrescenta ainda que o clima mais úmido do Rio Grande do Sul
favorece a produção e as chuvas constantes, principalmente na época
da colheita, fazem uma uva mais ácida, perfeita para esse tipo de
bebida. Para resfriar deixe a garrafa por doze horas na geladeira, nunca
no freezer. A baixa temperatura pode fazer a rolha sofrer um
encolhimento, ocasionando vazamentos. Meia hora antes de abrir coloque
em um balde com gelo. Deve chegar à mesa a uma temperatura de 6 a 8
graus centígrados servido em taças do tipo flute.
Como
abrir o champanhe

Se o vinho
espumante tiver sido devidamente gelado e manuseado com cuidado, a rolha
deve sair com um leve sussurro do gás e não com um violento estampido,
derramando vinho para todos os lados.
A garrafa precisa ser mantida em um ângulo de 45 graus, e a cápsula
metálica deve ser removida até o nível que exponha o anel que trava a
armação de arame. Ao ser desenrolada, a armação afrouxa o suficiente
para ser retirada. Enquanto isso, o polegar da mão esquerda (para
destros) precisa ser mantido sobre o topo da rolha, a fim de evitar uma
abertura prematura e também sentir o instante em que a rolha começa a
ceder. A mão direita deve girar a garrafa lentamente até que a rolha
comece gradualmente a sair e soltar, sempre mantida pelo polegar. Se
eventualmente o cogumelo se partir a rolha restante precisa ser
cuidadosamente perfurada para aliviar a pressão e a seguir removida com
saca-rolhas.
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