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Pequenos detalhes de um bom serviço de vinho

O grau de intimidade que um profissional de serviço ou um enófilo tem com o vinho é percebido através de pequenos detalhes. Sem alardes ou gestos ensaiados, o conhecedor trata o vinho e seus "utensílios" com a maior naturalidade, sabendo da importância de cada um. Vejamos alguns exemplos de detalhes que indicam o grau de profissionalismo.

Local de conservação

É o primeiro sinal de respeito e conhecimento. Temperatura e luminosidade adequadas são condições básicas para preservar as características organolépticas de um vinho e permitir a lenta evolução.
Quem não conserva bem seus vinhos demonstra não conhecer a importância que a temperatura e a luminosidade têm sobre a evolução organoléptica dos vinhos.
Temperaturas superiores aos 18-20 graus, aceleram o envelhecimento dos tintos, impossibilitando avaliar com objetividade a verdadeira capacidade de guarda dos mesmos.
A luminosidade (luz natural) causa danos irreparáveis devido a oxidação de cores e aromas.
Com a popularização das adegas climatizadas das quais hoje existe oferta e preço, nada justifica maltratar o vinho em relação a estas variáveis.

Decantação e oxigenação

A decantação é necessária em vinhos tintos de guarda envelhecidos que, na grande maioria das vezes, apresentam depósitos escuros resultantes da coagulação de componentes da cor. É um fenômeno natural, que em nada prejudica o vinho. A forma correta de decantar um vinho é colocá-lo na posição vertical um dia antes e posteriormente, com a ajuda de uma fonte luminosa (vela) colocada atrás do pescoço, trasvasá-lo para um decanter e separar a parte "suja" antes que ela passe para o novo recipiente.
A oxigenação tem sido motivo de controvérsias entre os especialistas. Na realidade, o que é indiscutível é que a moderada oxigenação produz o efeito de "acordar os aromas" além de eliminar os cheiros de "reduzido"que não sempre são agradáveis.
Que vinhos oxigenar? Não existe uma resposta genérica, apesar de que a maioria dos tintos com mais de cinco anos de envelhecimento melhoram com esse procedimento. Você deve examinar o vinho logo de aberto e decidir se é necessário e benéfico oxigená-lo. O procedimento é simples: trasvasá-lo para uma jarra ou decanter.

Saca-rolhas

Como afirma nosso assessor técnico Adolfo Lona, deve ser um instrumento de trabalho e não de tortura, nem para o vinho nem para o usuário.
O segredo, independentemente da forma e dos mecanismos utilizados para retirar a rolha, é a espiral que se introduz que deve ser de aço temperado (para não se deformar com o uso) e com um passo (distância entre os anéis) perfeitamente regular para evitar danos na cortiça .
Deve ser introduzido até o último anel e não mais do que isso para evitar traspassar a rolha, já que desta forma é possível que pequenos resíduos de rolha caiam sobre o vinho. A figura mostra a proporção exata entre cumprimento do espiral e da rolha. (*)

Copos

É talvez o item onde mais se demonstra a falta de conhecimento. É o último berço do vinho, portanto, é importantíssimo que formato e tamanho sejam os adequados. Formato sempre abaulado, com diâmetro máximo maior que a boca e tamanho generoso, grande.A diferença entre copos de branco e tinto deve ser ligeira no tamanho e algo mais "magro" no formato.
Sempre transparente, com pé e base proporcional, perfeitamente limpos. A este respeito, há uma fórmula para deixar sempre os copos limpos e transparentes: enxaguá-los logo após o uso somente com abundante água quente.
Os conjuntos: Se consideramos as variáveis dadas acima, devemos tomar cuidado com os conjuntos "água-tinto-branco". Na grande maioria das vezes, o de vinho branco é extremamente pequeno. Nesse caso, adote o de água para vinho tinto e o de tinto para branco. Reserve o pequeno de branco para jornadas generosas de licores.
Troca de copos: A única ocasião que não exige troca de copo é quando se continua com o mesmo vinho.

A aprovação da rolha e do vinho

O vinho, por ser um produto de mediana graduação alcoólica, expõe aos fatores externos suas características organolépticas. Por isso, algumas variáveis como conservação, idade e rolha podem afetá-lo. A aprovação da rolha e do vinho através do exame prévio ao serviço é uma prática absolutamente rotineira e não deve ser tomada como "mania de entendido". Em casa ou no restaurante aprove previamente rolha e vinho. A rolha através do exame olfativo. O vinho, através do rápido exame da cor, dos aromas e do sabor. Se por ventura o produto está afetado, recuse-o, é seu direito.

(*) Figura não disponível na versão online.

FONTE: Jornal Bon Vivant
Garibaldi, RS, Brasil
Edição 53 - abril/2003
www.jornalbonvivant.com.br




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