As regiões
vitivinícolas da Argentina
As
regiões vtivinícolas argentinas se estendem, preferencialmente, nas
zonas ao longo da Cordilheira dos Andes, entre 22° e 42° de latitude
sul. Por mais de 2.400 quilômetros, diversos micro-climas dão lugar a
essas regiões, cada uma com suas particularidades ecológicas.
A Cordilheira dos Andes exerce uma influência decisiva em boa parte do
território argentino e, principalmente, de suas zonas vtivinícolas.
Este cordão montanhoso faz com que as massas de ar úmido vindas do
Oceano Pacífico descarreguem sua umidade sobre o território chileno e,
caso penetrem no país, o ar é quente e seco.
As zonas aptas para o cultivo das videiras se estendem ao longo da pré-Cordilheira
dos Andes, preferencialmente nas partes altas. As videiras se
desenvolvem em clima semi-árido, com estação invernal seca, temperado
ou temperado frio, com chuvas que não passam dos 250 mm anuais e onde a
irrigação é, portanto, indispensável.
Na maior parte da faixa correspondente, as altitudes são variáveis
entre 500 e 1500 metros acima do nível do mar. Os solos são profundos,
soltos e permeáveis, pobres em matéria orgânica, nitrogênio total e
fósforo, de reação alcalina, ricos em cálcio e potássio.
Todos os vinhedos argentinos estão localizados em zonas secas, com um
baixo regime de chuvas e uma baixa umidade, por isto se faz necessária
uma complexa rede de canais, que distribuem a água proveniente dos
degelos da Cordilheira.
Dois fatores marcam de forma determinante os vinhedos argentinos: a
abundância de sol – que permite uma excelente maturação das uvas,
que chegam sem dificuldades à sua plenitude em aromas, sabor, cor e
taninos – e a altitude sobre o nível do mar, dada pela Cordilheira,
que é a causa de uma importante amplitude térmica.
Esses fatores constituem uma condição excepcional para a qualidade e o
estado sanitário das uvas, evitando o surgimento de doenças.
Clima
A Argentina abrange um panorama fabuloso de terreno e clima, que vai
desde a fronteira com o Brasil e suas florestas subtropicais às terras
congeladas da Patagônia e da Tierra del Fuego. A Argentina vinícola é
também um exemplo fascinante de viticultura, possuindo os elementos que
os winemakers de outras partes do mundo gostariam muito de ter: dias
mornos de verão com noites frescas, umidade baixa e solos bem-drenados
que são inóspitos à filoxera e às outras doenças.
A grande maioria dos vinhedos fica situada no canto noroeste do país,
predominantemente na província de Mendoza, nas encostas
orientais dos Andes, com precipitação anual escassa (entre oito e doze
milímetros por o ano). Ao mesmo tempo, os rios dos Andes, originando em
neves profundas do inverno, fornecem a abundância da água da irrigação.
A influência climática atlântica traz pouca chuva no verão, e
algumas áreas são sujeitas às geadas adiantadas e atrasadas.
No sentido mais básico, muitos vinhedos argentinos são oásis
elevados. As alturas em áreas de vinhedo variam entre 500-1500 metros.
O clima é continental, uma estação seca no inverno com chuvas leves
de verão e uma média de temperaturas entre 24,6º C no verão e em 9,4º
C no inverno.
As geadas de verão, que podem ter pedras tão grandes quanto bolas de
golfe, são o único risco climático real aos vinhedos. Pode causar
perdas desastrosas danificando a colheita atual das uvas e das gemas de
crescimento para o ano seguinte. Proteger as videiras com uma tela é
extremamente caro, mas é a única defesa dos produtores.
Viticultura
Os métodos tradicionais da irrigação são a inundação e por sulcos,
mas ambos podem produzir sabores diluídos no vinho quando usados em
demasia. Como os winemakers buscam melhorar a qualidade da uva, eles
devem também limitar os rendimentos por hectare. Os sistemas de irrigação
estão tornando-se cada vez mais refinados. Os novos desenvolvimentos
começaram a usar a irrigação por gotejamento.
Os solos argentinos variam ao longo do comprimento dos Andes e variam do
arenoso à argila, mas são predominantemente argilosos. A maioria é de
solo alcalino rico em cálcio e potássio, mas pobres em material orgânico.
Os valores de pH usuais pairam ao redor oito. Aqueles na província de
Mendoza tendem a ser mais cheios de pedra e aluviais.
As videiras são cultivadas em dois estilos principais chamados latada
(parreiral) e em espaldeira. No estilo latada, as videiras são
plantadas relativamente distantes umas das outras e crescem sobre um único
tronco com um ou dois metros de altura. Este sistema mantém a uva
bastante acima da terra para evitar o calor e as geadas e é também
compatível com colheita mecânica. Também é associado com os
rendimentos elevados e pode causar amadurecimento irregular. O estilo
mais clássico de espaldeira usa um sistema de três fios paralelos para
cultivar as videiras horizontalmente. É mais compatível com irrigação
de gotejamento e gerência do amadurecimento.
As Variedades
Hoje vários produtores têm plantado inúmeros tipos de uvas para
desenvolvimento de mais uma variedade que melhor se adapte ao solo
argentino assim como a Malbec. A variedade Bonarda, originária da região
do Piemonte, na Itália, já tem feito grande sucesso.
As uvas Malbec encontraram favoráveis condições de crescimento
na Argentina, e não há duvidas de que a Malbec argentina é umas das
uvas mais deliciosas e de maior sucesso no mundo. Sua coloração
intensa, seu aroma a amora, ameixas e mel, e a sua habilidade para
amadurecer à perfeição, criam vinhos de uma textura aveludada e
duradoura, e agradável sabor.
Quando os vinhos são envelhecidos em barris de carvalho, a fragrância
de baunilha e o suave tanino são perfeitos acompanhantes para um bife
ou até um chocolate ou um doce de amora vermelha.
A Torrontés é a variedade de uva branca mais distintiva da
Argentina. Produz um vinho branco frutado e elegante de uma fresca
acidez. Constitui um grande atrativo para os jovens bebedores de vinho
branco que apreciem o seu caráter frutado e floral.
Uvas tintas
Barbera, Bonarda, Nebbiolo, Dolcetto, Sangiovese, Cabernet
Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec, Merlot, Petit Verdot, Pinot
Noir, Syrah, Tempranillo
Uvas brancas
Chardonnay,
Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Viognier, Moscato Bianco, Tocai,
Moscatel, Pedro Ximenez, Riesling, Torrontés
As Regiões
REGIÃO NORTE
A região norte é constituída por cinco subregiões em direção
norte-sul: Jujuy, Salta, Catamarca, Rioja e San Juan, sendo que as duas
últimas formam o Valle del Tulum. A sub-região de Salta também
costuma ser denominada Salta-Cafayate e a sub-região de Rioja
compreende os distritos de Nonogasta e Chilecito.
A região norte produz poucos vinhos de qualidade e grande quantidade de
destilados vínicos. Os destaques são para as sub-regiões de Salta,
onde se faz o melhor vinho da uva Torrontés (uva branca muito plantada
no país), e San Juan, cujos vinhedos fornecem 18% da produção do país
e faz bons vinhos das uvas Malbec e Cabernet Sauvignon.
REGIÃO CENTRO - Mendoza
Mendoza é a mais importante zona vinícola Argentina, com produção de
75% do total de vinhos do país e 85% dos vinhos de qualidade! Possui vários
distritos tais como Agrelo, Drumond, Luján de Cuyo, Maipú, Perdriel,
Rivadavia, Rodeo de La Cruz, San Rafael e Tupungato. Deles, o mais
importante é San Rafael, com seus subdistritos de Paredes, Alto de Las
Paredes e Rama Caída, que alguns consideram uma zona vinícola à parte
de Mendoza.
REGIÃO SUL - Neuquén e Rio Negro
Seus vinhedos correspondem a apenas 5% da área cultivada no país, mas
é considerada uma região promissora, possuindo clima mais frio,
semelhante aos das melhores regiões chilenas. A região está no Alto
Valle del Rio Negro e divide-se nas sub-regiões Neuquén e Rio Negro.
FONTE:
Sites
Vino al Mundo (www.vinosalmundo.com) e Enciclopédia do Vinho
(www.e_vinho.com.br).