História do vinho

Um breve relato - da antiguidade ao mundo moderno

Tempos negros para os vinhos
O período que se seguiu à queda do Império Romano, por volta de 500 DC, ficou conhecido como a Idade Média e marcou o fim da história antiga. Iniciaram-se, então, tempos tenebrosos para a Europa, com as pessoas privadas de seus direitos, até mesmo de ler e escrever; esses tempos ficaram conhecidos como "Dark Ages" (Eras Negras) e os efeitos sobre a produção de vinhos se fizeram sentir.
Mas alguns esforços foram feitos no sentido de evitar o colapso da produção de vinho.
Em 1224, o Rei da Fiança organizou um evento para comparar os vinhos das regiões norte e sul de seu país. O poeta Henry d´Andeli escreveu um poema intitulado "A Batalha dos Vinhos", para celebrar este evento. Os mais suaves e mais leves vinhos do norte ganharam esta "batalha", mas cem anos mais tarde foi a vez dos vinhos mais fortes e mais cheios do sul, então na moda.
O Imperador Carlos Magno também prestou a sua ajuda. Ele se fez conhecido por ser muito exigente e haver criado regras para aumentar a higiene na produção, como não mais amassar as uvas com os pés nem armazena-las em peles de animais.
Durante as Eras Negras, a produção de vinho se manteve às custas dos monastérios cristãos. Na medida em que a Igreja ampliou seus monastérios, estes começaram a desenvolver os primeiros vinhedos na Europa.
No período medieval, o vinho era ainda considerado o forte da dieta diária; isto porque a maior parte da Europa não dispunha de água potável de qualidade confiável. As pessoas também começaram a dar preferência aos vinhos mais fortes, mais pesados, em vez dos seus precursores romanos, mais suaves.
A Inglaterra começou a importar vinho da Alemanha, depois de perder Bordeaux para a França, no século XIV. Portugal também mandou vinho para a Inglaterra e isto ajudou a manter amistosas as relações entre os dois países.
 

A época de ouro de Shakespeare
Na era de Shakespeare (século XVI), o vinho era parte comum da dieta diária; a cerveja era a alternativa favorita ao vinho.
Nesta época, o vinho começou a se diversificar e as pessoas, a valorizar o conceito de variedade. Isso se revela nas palavras do francês Michel de Montaigne: “Precisamos de uma degustação menos exata e mais livre. Para ser um bom bebedor, não é necessário um paladar tão delicado”.
Outra observação registrada sobre o vinho é de Sir John Hannington: “Vinhos, mulheres, banhos, pela arte ou pela natureza quentes, usados ou abusados, são para os homens muito bons ou danosos”.
Com certeza, os cidadãos da era Shakespeare apreciavam o vinho e começaram a discutir suas virtudes com mais entusiasmo que nos séculos anteriores.
No final da vida de Shakespeare, falecido em 1616, Londres passou a contar, pela primeira vez, com um abundante suprimento de água potável e a indústria do vinho entrou em uma nova era.
 

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