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Mercado promissor
O Brasil é hoje o mais
estratégico mercado de vinhos da América Latina. Ao contrário de
tradicionais produtores como França, Itália, Argentina e Chile, onde a
tendência de consumo da bebida é de queda, no Brasil há significativo
potencial de crescimento. Afinal, a população de 175 milhões de
habitantes bebe apenas 1,6 litro per capita ao ano. Se há
possibilidade de expansão, o mercado nacional é ainda pequeno quando
comparado ao da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Alemanha ou do
Japão, que movimentam cifras bilionárias.
Infelizmente, o volume de importação do Brasil é
significativamente inferior. Para se ter uma idéia, a cada ano, o País
compra o equivalente a apenas 0,6% da produção chilena de vinhos,
0,27% da Argentina, 0,04% da francesa, 0,016% da espanhola e ínfimos
0,009% do vinho engarrafado na Austrália.
Apesar de o Brasil importar vinhos desde o
descobrimento e ter uma produção local iniciada já no século XVII, a
classe média brasileira só refinou seu gosto a partir dos anos 90, com
a abertura do mercado aos produtos importados.
O enófilo brasileiro está se educando avidamente com
cursos para iniciantes e literatura. A bebida de Baco tornou-se símbolo
de sofisticação e ocupa um espaço cada vez maior na mídia. O que
falta para uma explosão de consumo é informação, hábito e,
sobretudo, bolso. Neste contexto, cresce a influência da imprensa
especializada, que educa e indica as boas compras.
Os 275 milhões de litros de vinho comercializados em
2003 no Brasil mostram uma retração de 4,75% do mercado, em relação
ao ano anterior. Desse total, 29 milhões de litros foram importados.
Vale explicar que 88% da produção nacional é de vinho dito
"comum", feito de uvas não-viníferas, que custam menos de R$
5 a garrafa e que não competem com os estrangeiros.
É preciso salientar que o consumo é geograficamente
muito irregular. Cerca de 85% do volume se concentra nas regiões
Sudeste e Sul do País, que juntas representam cerca de 57% da
população. Ou seja, os outros 75 milhões de cidadãos das regiões
Norte, Centro-Oeste e Nordeste esvaziam menos de uma garrafa de branco
ou tinto ao ano.
Mais do que um aumento quantitativo, o mercado
nacional registrou um aumento qualitativo nos últimos anos. A variedade
de rótulos importados à disposição do consumidor é imensa e cresce
a cada dia, não existem números precisos, mas estima-se que chegue a
15 mil.
Capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, o maior
mercado, recebem visitas quase diárias de representantes de vinícolas
de todas as partes do mundo promovendo seus produtos. O vinho costuma
ser mais bem tratado aqui do que em muitos países europeus, como
Portugal. É comum nos grandes centros urbanos que bons restaurantes
tenham adega climatizada, taças adequadas e pessoal treinado para o
serviço.
Embora não existam dados exatos, calcula-se que mais
de 80% do vinho consumido no Brasil seja tinto. Os principais motivos
são as tão faladas benesses à saúde e a má fama que os brancos
ganharam nos anos 80, com a enxurrada de líquido adocicado alemão que
inundou o País. Os rosados não são populares, por motivos
semelhantes.
Os espumantes são a grande vocação brasileira e
gozam do merecido status de principal produto nacional em termos de
qualidade. O consumidor, já está bem informado do fato, foi às
compras em 2003. O incremento na venda de espumantes no ano que passou,
em comparação com 2002, foi de 27,87%, atingindo a faixa dos 5
milhões de litros. Esperava-se um crescimento ainda maior, não fosse o
aumento de IPI - 136% em média - sobre espumantes, ocorrido no fim do
ano, que representou um incremento de ao menos 20% no preço da
prateleira.
Os vinhos nacionais sofrem uma pesada carga
tributária, da ordem de 45% do preço final da garrafa. É fácil
constatar como os impostos afetaram as vendas. Em novembro passado,
antes do aumento, 1,5 milhão de litros de espumantes brasileiros foram
comercializados. Em dezembro, quando tradicionalmente há um pico de
compras, foi registrada uma queda de 74% em relação ao mês anterior.
Um desastre...
No mercado de importados houve uma troca de
protagonistas em 2003. Caiu a Itália, seguida dos europeus de maneira
geral, e subiram o Chile e a Argentina. As causas desta mudança foram a
estagnação da economia, com retração geral nas compras e uma forte
alta do euro. Além disso, Chile e Argentina beneficiam-se de menores
custos de transporte e de taxas aduaneiras. Enquanto um vinho europeu
paga impostos e taxas que variam de 85% a 100%, os argentinos têm
encargos da ordem de 50% e os chilenos, entre 50% e 100%. Por isso, os
produtos do Velho Mundo chegam aqui custando caro: uma garrafa de €3
numa loja em Paris, por exemplo, custa pelo menos três vezes este valor
numa gôndola paulistana.
O ano passado foi marcado por agressivas campanhas de
marketing do Chile e da Argentina. Em conseqüência, ambos aumentaram
suas participações no mercado, com os chilenos na liderança. O maior
caso de sucesso em 2003 foi o da Argentina, que aumentou sua
participação em 51% em volume e 44% em valor. Uma verdadeira explosão
de vendas. As causa, além das vantagens proporcionadas pelo Mercosul,
são o aumento da qualidade e a percepção do aumento de interesse pelo
consumidor brasileiro.
Da Europa, Portugal foi o destaque. Os lusos marcaram
presença na mídia local. Concentraram esforços com o apoio de
entidades como o ICEP, IVP e ANDOVI, além de iniciativas individuais
tomadas por produtores e seus representantes no País. Com a melhor
performance européia em 2003, os lusos conseguiram aumentar em 10% sua
participação, o que, em face da valorização do Euro, foi uma
vitória.
| FONTE: |
InvestNews
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14/03/2004
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