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Também na
Argentina, a espanhola Tempranillo
Vários
vinhos de classe, feitos com essa uva, já chamam atenção fora da
Europa.
A Tempranillo
é a grande uva tinta da Espanha, desempenha papel importante em
Portugal e começa a chamar a atenção também na Argentina, onde já
está produzindo vários vinhos de classe, alguns na elite do país.
A Tempranillo, teoricamente, dá vinhos não muito alcoólicos, mas que
podem ter grande classe, bastante cor e capacidade de envelhecer. Vinhos
de vários estilos, dos grandes de guarda aos ligeiros para consumo rápido.
A afinidade de seus vinhos com o carvalho é impressionante. O toque
dessa madeira costuma valorizar seus vinhos.
Na Espanha, a Tempranillo assume vários nomes e papéis. Ela é a
principal e a mais fina cepa do corte da Rioja e, com o nome de Tinto
Fino, é base de quase todos os grandes vinhos de Ribera del Duero.
Aparece ainda em muitas outras zonas. Em Portugal é particularmente
importante no Douro (vinho do Porto e vinho de mesa Douro), onde assume
o nome de Tinta Roriz, e no Alentejo, onde é conhecida
como Aragonês.
Mas não é muito difundida fora da Península Ibérica. A Argentina,
onde é também chamada Tempranilla, é uma exceção, pois lá ela é a
sexta uva mais plantada, ocupa, segundo dados de 2000, 4.301 hectares em
Mendoza.
Até recentemente, era difícil encontrar o seu nome nos rótulos dos
vinhos argentinos. Os produtores pareciam mais interessados em
quantidade do que em qualidade. A situação mudou e alguns bons
vinheteiros estão controlando a produção, e a qualidade da uva vem se
impondo.
Nota:
Em boxes
separados, o autor comenta quatro vinhos produzidos com essa uva, em
ordem crescente de qualidade e preço. Em resumo, são eles:
Vila
Tempranillo Premium 1999 – Gostoso, fácil de beber e com ótima
relação qualidade/preço. O tipo de vinho que dá vontade de continuar
bebendo. Pronto para o consumo. 87 pontos. Até R$30.
Anúbis Tempranillo 2001 – Gostoso, equilibrado e com boa
acidez na boca. Longo, deixa uma sensação agradável. Toques de
baunilha, achocolatado. 88 pontos. Até R$40.
Zuccardi Q. Tempranillo 2001 – elegante e muito bem feito.
Toques de coco e baunilha. Equilibrado, redondo, pronto, longo. 90
pontos. Até R$90.
Bcrux Valle de Uco 2001 – Um to impressionante, entre os
melhores do país, um corte de Tempranillo (85%), Merlot (11%) e Malbec
(4%). Classe, concentração, equilíbrio e elegância. Taninos finos.
Toques de cacau e bala de café. 92 pontos. Até R$90.
| FONTE: |
Saul
Galvão, crítico de vinhos
O Estado de São Paulo
14/05/04 |
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