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Tanat, a grande uva
tinta do Uruguai
Seus
vinhos são intensos, com muita cor, concentração e alguns meio
rústicos.
A Tannat
domina a paisagem das grandes regiões vinícolas do Uruguai, que ficam
nas imediações de montevidéu, como Canelones (de longe a mais
importante e extensa), San José, Lavaleja e Florida. Há outras zonas
de qualidade, como Artigas e Rivera, na fronteira com o Brasil, Paysandu
e Salto, na divisa com a Argentina, entre outras, mas é grande a
concentração de vinícolas nas planícies perto da capital.
É provável que as
vinícolas tenham escolhido essas regiões não tanto pela qualidade das
terras ou do clima, mas sim para ficar perto de seus principais
clientes. O Uruguai produz perto de 95 milhões de litros, dos quais 90%
são consumidos no próprio país. O Brasil é o maior importador.
Os tintos feitos com
a tannat podem ser os destaques, mas os mais populares são os rosados,
os vinhos do dia-a-dia. O Uruguai deve ser o país que,
proporcionalmente, mais consome rosados, que ficam com uma parcela entre
35% e 40% do total.
A Tannat veio da França,
onde não tem prestígio e costuma gerar tintos potentes, com bastante
cor, tânicos, meio rústicos, dificilmente elegantes e que precisam
envelhecer. O Madiran, boa companhia para o Cassoulet, é o vinho mais
conhecido feito com essa uva na França.
Por volta de 1870, o
basco Pascoal Harriague levou a cepa para o Uruguai, onde ela se adaptou
maravilhosamente. A Tannat é relativamente precoce e suas frutas podem
ser colhidas antes das habituais chuvas que caem no fim da safra. Uvas
que demoram para amadurecer, como a Cabernet Sauvignon, são problemáticas.
No Uruguai a Tannat
perde um pouco de suas arestas, fica mais amável. Mas sempre dá vinhos
potentes, tânicos. Se a maturação das uvas não for correta, pode
resultar em tintos potentes demais, difíceis de beber. A uva também
costuma entrar em cortes com outras cepas, como a Merlot, Cabernet Franc
e Cabernet Sauvignon.
Nota:
Em
complemento às notas acima, o autor comenta quatro vinhos produzidos com essa uva,
abaixo indicados:
Don
Adelio Tannat Reserve Oak Barrel 2000 – 86 pontos. Até
R$30.
Don Pascual Roble Tannat 2001 – 83 pontos. Até R$50.
Catamayor Reserva de la Familia 2002 – 85 pontos. Até
R$60.
Casa Filgueira Premium Tannat 2001 – 87 pontos. Acima de R$80.
| FONTE: |
Saul
Galvão, crítico de vinhos
O Estado de São Paulo
21/05/04 |
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