Gaúchos
promovem 'Brasil do vinho' em Londres
Enquanto
a megastore Selfridge’s vende o Brasil da caipirinha no centro de
Londres, do outro lado da capital britânica um consórcio formado pelas
maiores vinícolas brasileiras passou a semana se esforçando para começar
a exportar suas linhas de vinhos finos para o mercado europeu.
O
grupo Wines from Brazil, que reúne as vinícolas Aurora, Casa Valduga,
Miolo, De Lantier, Salton e Lovara, participou pela primeira vez da
Feira Internacional de Vinhos e Bebidas Alcoólicas de Londres, evento
que contou com cerca de 1,2 mil produtores de todo o mundo e terminou
nesta sexta-feira.
“A
recepção aos nossos vinhos foi muito boa”, disse à BBC Brasil
Eduardo Stefani, gerente de operações do consórcio. “Fizemos
contatos com importadoras de países como Alemanha, Suécia, Polônia,
Malta e até da França, além da Grã-Bretanha.”
Segundo
Stefani, as exportações devem começar a partir de agosto, quando as
vinícolas terão definido sua estrutura de distribuição.
Volume
pequeno
Fundado
em 2002, com o objetivo de aumentar sua representatividade no mercado
internacional, o consórcio já tem clientes no Canadá, Japão, Suíça,
Estados Unidos, República Checa, Finlândia e França.
Um ano depois, as exportações das vinícolas juntas cresceram em 50%.
Mas as empresas do grupo reconhecem que uma parte muito pequena de sua
receita vem da venda ao exterior.
“Hoje
apenas 3% do nosso faturamento total vem das exportações”, disse
Carlos Eduardo Nogueira, diretor de marketing e exportação da Miolo.
“Nossa meta é chegar a 30% nos próximos cinco anos.”
Segundo
a Wines from Brazil, os vinhos brasileiros devem chegar ao mercado
europeu custando entre US$ 13 e US$ 18 a garrafa.
"O
Brasil tem um consumo per capita de apenas 2,2 litros por ano e 53% do
mercado nacional de vinhos finos é de importados", disse
Juciane Casagrande, diretora comercial da Casa Valduga. "Sentimos
que devemos procurar novos nichos para não dependermos somente do
consumo interno."
Chances
Mas
como despertar a vontade de comprar um vinho brasileiro no europeu
acostumado a escolher entre variedades francesas, italianas e espanholas
– ou mais recentemente até sul-africanas, australianas e chilenas?
Para
o enólogo francês Michel Roland, o ineditismo é justamente um dos
fatores positivos. “Alguns países, como a Grã-Bretanha, são
muito abertos a novidades, principalmente às que vêm do hemisfério
sul. Por isso o Brasil tem muitas chances”, afirmou.
Já
Juciane Casagrande acredita que a proximidade geográfica com a
Argentina e o Chile, países que já conquistaram respeito e espaço no
mercado europeu, pode ajudar.
“Uma
das primeiras perguntas que ouvimos dos compradores é de que região
brasileira vêm os nossos vinhos. Então, em feiras e exibições,
sempre temos cartazes com mapas para indicar o Sul do Brasil”,
contou ela.
Rafael
Acordi, gerente de exportação da Vinícola Aurora, lembra dos recentes
investimentos que os brasileiros estão fazendo em pesquisa e
tecnologia, muitas vezes treinando seus profissionais no exterior e
usando consultores estrangeiros.
Para
o português Filipe Fernandes, da importadora britânica D&F Wine
Shippers, a imagem positiva do Brasil “alegre e quente” já conta
muitos pontos. “Mas é preciso lembrar que o produto tem que ser sério
e passar uma impressão de qualidade”, disse.
Se
depender de profissionais como o britânico John Cunynghame, diretor da
importadora Hallgarten que circulava animadamente pelo estande
brasileiro na Feira do Vinho de Londres, as vinícolas brasileiras já
podem comemorar.
“Sabia
que o Brasil produzia vinhos, mas não tinha certeza quanto à sua
qualidade”, confessou. “Mas fiquei muito bem impressionado.
Os produtos têm qualidade internacional.”
| FONTE: |
BBC Brasil
Direto
de Lobdres - 21/05/2004
www.bbc.co.uk/portuguese/ |
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